Guia para os clássicos: Anna Karenina

Guia para os clássicos: Anna Karenina

A sensação do leitor — de estar completamente imerso na história — deve-se ao profundo entendimento de Tolstói sobre a natureza humana e sua capacidade de nos atrair para qualquer emoção, dentro de uma infinidade delas. Ele admitiu que quando escrevia um personagem, se sentia em sua pele, por mais antiético que lhe parecesse. O resultado para quem lê é que o autor parece ter realmente vivido cada um dos desejos, aspirações e falhas dos personagens antes de colocá-los no papel.

Frankenstein, a Baronesa e os refugiados do Tambora

Frankenstein, a Baronesa e os refugiados do Tambora

Assim como as hordas de refugiados que seguiam a Baronesa de Krüdener, a criatura de Mary Shelley, quando se aventura até as cidades, é recebida com medo e hostilidade. As abastadas famílias do romance, os De Lacy e os Frankenstein (como os burgueses de Krüdener, na Basileia), o olham com horror e desprezo. A experiência do monstro de Mary Shelley personifica a degradação e o sofrimento dos europeus pobres e sem teto na época da erupção do Tambora; a repulsa violenta de Frankenstein e de todos à sua volta reflete a completa falta de compaixão demonstrada pelos burgueses europeus em relação ao exército camponês das vítimas climáticas da erupção do vulcão Tambora, sofrendo de fome, doenças e a perda de seus lares e subsistência. Como a própria criatura diz, ele sofreu primeiro “com a inclemência da situação”, mas “ainda mais com a barbaridade do homem”.

“Graphic novel também é romance”

“Graphic novel também é romance”

“Graphic novel também é romance”: por que os jurados do Booker Prize acertaram ao escolher uma delas como finalista Depois do anúncio de que Sabrina, de Nick Drnaso (sem tradução no Brasil), é a primeira graphic novel da história indicada ao Man Booker Prize, Joanne...
Resgatando a Inglaterra: a retórica do imperialismo e o Exército da Salvação

Resgatando a Inglaterra: a retórica do imperialismo e o Exército da Salvação

Evidentemente, a visão de William Booth sobre o colonialismo não se limitava somente à metáfora ou à retórica: o projeto colonial britânico oferecia precisamente o mecanismo pelo qual essa ideia seria realizada. Ao definir a Inglaterra como um lugar de trevas, Booth ilumina seu “plano de libertação”: um projeto que relaciona a reforma moral e religiosa a empregos vantajosos em colônias cuidadosamente construídas na própria Inglaterra e no exterior. Seu modelo interdependente pretendia oferecer “trabalho para todos” por meio de um “esquema” que “se divide em três seções e cada uma é indispensável para o sucesso integral”. O autor chamou esse esquema em três partes de “família patriarcal”.

A questão da mulher na ficção científica

A questão da mulher na ficção científica

Até que a igualdade de gêneros seja conquistada, a ficção científica continuará sendo apenas uma fração do que poderia ser. Ação afirmativa para mulheres na ficção científica não é apenas justificada, mas essencial para a evolução do gênero.