O mistério de Lewis Carroll

O mistério de Lewis Carroll

Todo mundo, ao menos uma vez, já sonhou em ser eternamente criança. Na prática, não é tão simples assim, quando você tem que conviver com piratas, índios e feras te perseguindo, e muitas vezes o jantar é apenas faz-de-conta. Wendy e seus irmãos sentem isso na pele, quando Peter Pan os leva para a Terra do Nunca, lar dos Garotos Perdidos, Tinker Bell e Capitão Hook.

Memes da Idade Moderna

Memes da Idade Moderna

Todo mundo, ao menos uma vez, já sonhou em ser eternamente criança. Na prática, não é tão simples assim, quando você tem que conviver com piratas, índios e feras te perseguindo, e muitas vezes o jantar é apenas faz-de-conta. Wendy e seus irmãos sentem isso na pele, quando Peter Pan os leva para a Terra do Nunca, lar dos Garotos Perdidos, Tinker Bell e Capitão Hook.

H. G. Wells e Joseph Conrad: uma amizade literária

H. G. Wells e Joseph Conrad: uma amizade literária

Fevereiro de 1899 marcou a milésima tiragem da Blackwood’s Edinburgh Magazine. A edição especial da “Maga”, forma como William Blackwood chamava carinhosamente sua revista, foi lançada com a primeira publicação serializada de Coração das trevas (Heart of Darkness), de Joseph Conrad. Em janeiro do mesmo ano, a revista Graphic havia começado a serialização do romance de Wells, O dorminhoco (A Story of Years to Come), que a editora Harpers publicou em forma de livro em maio de 1899. A versão serializada de O dorminhoco não mencionava o trabalho de Conrad, mas o livro continha uma referência explícita à edição de Blackwood. As datas de publicação foram concomitantes: a história de Conrad surgiu entre fevereiro e abril de 1899, enquanto O dorminhoco foi publicado como livro em 3 de maio. Dessa forma, Wells provavelmente finalizava seu manuscrito no momento em que Conrad estava imerso na escrita de sua famosa obra; e a menção de Coração das trevas em Wells é uma evidência impressionante da estreita amizade literária compartilhada pelos autores entre 1898 e 1905.

Lobos na literatura ocidental

Lobos na literatura ocidental

O Canis Lupus já foi muito difamado na tradição literária ocidental. Sua própria sobrevivência como espécie foi colocada em risco por conta disso. Superstições e medos criaram uma fera fictícia à qual sempre cabe o papel de vilão nos contos europeus. De acordo com a historiadora Beryl Rowland, “a antiguidade e a longevidade dessa crença estabelecem o lobo como uma fera assassina e contribuem para que esse simbolismo pejorativo persista” (162). Este artigo visa justificar tal declaração ao demonstrar sua persistência através de evidências de como o lobo é continuamente representado de forma pejorativa e analisar os vários gêneros literários europeus nos quais esse animal desempenha papel de destaque. Embora o escopo da análise seja limitado a um contexto ocidental, há exemplos da literatura oriental — em especial a russa — que corroboram essa opinião.

O paradoxo de Peter Pan

O paradoxo de Peter Pan

James Matthew Barrie inicia sua mais amada história com uma frase simples e notável: “Todas as crianças crescem, menos uma”. Ela incorpora toda a estrutura da história: um menino que nunca cresceu. Desde a primeira publicação da famosa peça de Barrie, em 1928, Peter Pan tem influenciado imensamente a literatura infantil, fazendo com que a história de Barrie se tornasse um objeto doméstico comum entre crianças e adultos. Por meio de Peter, Barrie cria um personagem paradoxal ao introduzir ao leitor um menino singular que combate cotidianamente o medo e o desejo de se tornar adulto. A personalidade de Barrie lidou com esses sentimentos por toda a sua vida, manifestando-a no personagem de Peter, que declara seu ódio pela vida adulta enquanto ao mesmo tempo anseia por ela, querendo se tornar um adulto. Com isso, a história força os leitores a encararem seus próprios conflitos, pois Barrie lhes oferece uma escolha. Ele deixa que o leitor decida se concorda com Peter Pan e o ódio à vida adulta, ou se concorda com seus pais, que dizem que a vida adulta, na verdade, tem seus benefícios e precisa ser abraçada e reconhecida.