O magnífico Mágico de Oz
The Wonderful Wizard of Oz

L. Frank Baum, 1900

Voltar para casa é um desejo latente e instintivo em cada um de nós. As aventuras de Dorothy com seus amigos — o Espantalho, o Lenhador de Lata e o Leão Covarde — pela estrada de ladrilhos amarelos em busca de propósito e do próprio lar compõem uma das obras mais icônicas do Século 20, repleta de interpretações e simbolismos e reverenciada fonte de inspiração para diversas outras obras, como a adaptação icônica de 1939 para o cinema.

Conheça a obra:

Talvez um dos maiores méritos deste livro e de suas sequências seja a universalidade da trama. o que faz com ela seja apreciada em todo o mundo até hoje, sem sinais de que sua popularidade esteja em declínio. A série também dá voz a personagens femininas e a coadjuvantes pouco ortodoxos. A simpatia de Baum por causas feministas (como, por exemplo, o sufragismo) acabam se refletindo em mulheres com muita personalidade ao longo da série de livros sobre Oz, como Dorothy, Glinda e a Princesa Ozma. No entanto, Baum sempre disse, ao longo da vida, que seus livros foram escritos com o único intuito de agradar às crianças. Esse papel é plenamente cumprido, até hoje.

Inspirado pelos grandes criadores de histórias infantis do passado, como Hans Christian Andersen e os irmãos Jacob e Wilhelm Grimm, L. Frank Baum removeu de sua grande aventura um componente essencial a seus pares europeus: o horror. Contudo, manteve a aventura e o arrebatamento, e isso mudou a história da literatura para crianças. Também a Alice, de Lewis Carroll, foi influência para Baum, que considerava a narrativa da história incoerente, mas reconheceu a protagonista infantil como o fator principal da popularidade dos livros, pois era uma personagem com a qual as crianças podiam se identificar diretamente.

Deste modo, e também a partir de referências pessoais de Baum (que até hoje diversos estudiosos tentam rastrear, nem sempre com efeito conclusivo), surgiu a história da menina Dorothy e de suas aventuras e desventuras com três inusitados companheiros de viagem, descobrindo maravilhas na distante Terra de Oz. O livro atingiu em cheio os corações e mentes de crianças do mundo todo. Apesar disso, o livro ficou por décadas à margem dos estudos acadêmicos, notadamente por ser uma história de fantasia e, também, pela crença dos estudiosos de que a série de livros iniciada por O Magnífico Mágico de Oz não possuía qualquer mérito literário.

Tempo de leitura: 5 horas

Título original:  The Wonderful Wizard of Oz (1900) e The Marvelous Land of Oz (1904)

Tradução: Delfin

Ilustração: Andre Ducci

Sobre o autor:

“Eu aprendi a ver a fama como um fogo-fátuo que, quando é capturado, não vale ser possuído; mas agradar uma criança é uma coisa doce e encantadora, que aquece um coração e traz sua própria recompensa.”

As palavras de Lyman Frank Baum (1856—1919) em uma dedicatória de livro feita para sua irmã ilustram como o autor estadunidense tinha como foco o entretenimento infantil. Escreveu cerca de setenta obras durante sua carreira, além de estar envolvido na produção e roteiros de peças de teatro (originalmente, Baum era ator), produzindo inclusive farto material sob pseudônimos como Edith Van Dyne, Laura Bancroft e Floyd Akers. Porém, foi assinando como L. Frank Baum que o autor conseguiu seu maior êxito, ao escrever O Magnífico Mágico de Oz em 1900.

Na virada do século XX, o tipo de história narrado por Baum era incomum, o que era reconhecido pela crítica da época. O jornal The New York Times, por exemplo, aponta que o livro se destaca engenhosamente do material disponível à época para crianças, acrescentando que o livro “certamente lançará as bases para atrair fortemente os leitores infantis como também os ainda mais jovens, para quem será lido pelas mães ou responsáveis pelo entretenimento das crianças”. Esse reconhecimento imediato do apelo infantil do livro fez com que ele fosse traduzido para mais de cinquenta línguas, sendo adaptado em alguns países, como a Índia e a União Soviética.

Segundo a Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos, a instituição cultural mais antiga daquele país, a obra se tornou o maior e o mais amado conto de fadas produzido na nação. Não é por acaso que o livro, que teve uma primeira tiragem de dez mil cópias, atingiu a marca de três milhões de livros vendidos até sua entrada no domínio público, em 1956. De lá para cá, a disseminação da obra em universos expandidos, criados inicialmente com a benção da família do autor, continua a acontecer, mesmo quase um século após a morte de Baum. Não por acaso, o autor expandiu sua obra em mais quinze romances, dois publicados postumamente, uma coletânea de contos e uma tira de quadrinhos, uma trajetória que se inicia com a publicação de A Maravilhosa Terra de Oz, em 1904.