Dentro da Rukh
In the Rukh
Rudyard Kipling, 1893

A nota a seguir acompanhou a publicação do conto “In the Rukh” quando foi republicado em junho de 1896 em uma edição da McClure’s Magazine:
Este conto, publicado originalmente no livro Many Inventions (D. Appleton & Co.), de 1893, é a primeira história escrita de Mowgli, embora seja uma narrativa sobre seus anos como adulto — ou seja, sua introdução final à sociedade dos homens brancos, seu casamento e sua civilização. Isso tudo, como podemos deduzir, se passa cerca de dois ou três anos após ele ter definitivamente se distanciado de seus amigos da selva (como pode ser observado em “The Spring Running” (“A corrida da primavera”, conto do Segundo livro da selva). Aqueles que conhecem a geografia da Índia entenderão que a história se passa bem longe da região Seoni, em uma reserva ao norte do país; mas embora muitas outras coisas curiosas tenham acontecido com Mowgli, não temos registros confiáveis de suas outras aventuras durante o tempo em que vagou sozinho. Há, porém, muitas lendas.
—Rudyard Kipling.

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Título original: In the Rukh (1893)

Tradução: Ricardo Giassetti

Ilustração: Wikisource e Instituto Mojo

 

Sobre o autor:

Joseph Rudyard Kipling nasceu em Bombaim (Mumbai), em 30 de dezembro de 1865, e morreu em Londres, em 18 de janeiro de 1936. Autor de poemas, contos, ensaios e romances, recebeu o Nobel de Literatura em 1907. Admirado por T. S. Elliot e Jorge Luis Borges, Kipling foi porta-voz do ideal imperial britânico. Era repórter da presença de cidadãos e soldados do Reino Unido na Índia e outros países ao final do século 19.

Sua obra é polêmica, pois ao mesmo tempo em que exalta a beleza e os detalhes da Índia, endossa a dominação britânica. Entre seus críticos estavam George Orwell, autor de 1984. Kipling perdeu sua filha Josephine para a pneumonia em 1899 — para quem escreveu as histórias de O Livro da Selva e um filho, John, na Primeira Guerra Mundial.

Abaixo, um trecho do artigo de Nina Martyris para a revista New Yorker:

Kipling é frequentemente ridicularizado como um fanático imperialista que prostituiu seu incrível talento para a propaganda e a política. Mesmo durante a guerra, recebia cartas dizendo que um apoiador da guerra merecia perder seu filho. Mas isso é uma leitura errônea de suas repetidas advertências sobre uma invasão alemã, para que a Grã-Bretanha se preparasse. Certamente se entregava ao culto ao império, mas esse era apenas um dos aspectos desse homem paradoxal e contencioso.

Em sua poesia, dramatiza a guerra como uma aflição primitiva, que desencadeia alegria, raiva e terror. O fantasma de John assombra seus textos, chamuscando-os com raiva. Em “The Children”, por exemplo, o poeta reitera tranquilamente a promessa de retribuição, apenas para retornar a um insuportável impasse: “Mas quem devolverá nossos filhos?” O poema “A Death-Bed” pretende ser abertamente desagradável, comemorando a notícia de que o Kaiser alemão tem câncer. A tristeza e a ira sinistras convergem para uma palavra desdenhosa que ele usava para descrever o homem que considerava ser o responsável pela guerra: o Coisa.