Alice no País das Maravilhas
Alice’s Adventures in Wonderland
Lewis Carroll, 1865

Típico homem vitoriano, era fascinado pela nobreza e propenso ao esnobismo. Reprovava a indecência em todas as suas formas, no dia-a-dia e nas artes. Talvez como fuga à própria rigidez, tenha criado um mundo tão fantástico. Como disse Martin Gardner: “O último nível metafórico nos livros de Alice é este: que a vida, vista racionalmente e sem ilusão, parece ser uma história disparatada contada por um matemático idiota”.

Antes de Alice, os livros infantis eram meras lições de moral. Lewis Carroll muda isso ao criar uma obra que incita a imaginação e provoca o pensamento crítico, ao reverter o papel de crianças e adultos. Alice viaja para um mundo onde os animais falam e objetos ganham vida, mas é tudo confuso e ilógico, e ela tem de ser a voz da razão. Publicado pela primeira vez em 1865, adaptado pela Disney para o cinema em 1951. Mais um clássico que o Instituto Mojo libera gratuitamente. 

Conheça a obra:

Alice talvez seja a obra mais analisada por psicólogos e psiquiatras, e sem dúvida é uma das que mais serviu de inspiração para tatuagens nas últimas décadas. Segundo Martin Gardner, um dos maiores estudiosos do autor, “Como Homero, a Bíblia e todas as outras grandes obras de fantasia, os livros de Alice prestam-se facilmente a qualquer tipo de interpretação simbólica – política, metafísica ou freudiana”. Essa é uma das partes mais divertidas de se ler esse livro. Cada leitor descobre por conta própria as impressões e simbologias que enxerga no mundo criado por Carroll, cada um tem seu próprio e pessoal país das maravilhas.

Carroll, um matemático que não pensava em ser escritor, cria o livro despretensiosamente, ao inventar uma história para três crianças durante uma viagem. Apesar de cercados de polêmicas — obra e criador — conquista fãs de peso como Oscar Wilde e a própria rainha Vitória.

Dentre as muitas curiosidades do livro, está o fato de que Carroll teria escondido vários problemas de matemática e lógica no texto. A maioria é praticamente imperceptível para os leitores atuais, principalmente por terem sido escritos usando trocadilhos do inglês vitoriano. Quando Alice encontra o Grifo, por exemplo, ele lhe diz quantas horas estudava por dia: “Dez horas no primeiro dia, nove no seguinte, e assim por diante”. Alice responde: “Nesse caso, no décimo-primeiro dia era feriado?”

280 páginas, 16 x 23 cm

Título original:  Alice´s Adventures in Wonderland e Through the Looking Glass, 1865

Tradução: Andre Roschel e Ricardo Giassetti

Ilustração: Andre Ducci

Sobre o autor:

Lewis Carroll, cujo nome verdadeiro era Charles Lutwige Dogson, foi matemático, poeta, filósofo, inventor e fotógrafo, em uma época que a fotografia ainda era uma invenção recente. Gago desde a infância — problema que ele chamava de “hesitação” — e por toda a vida adulta, alguns de seus biógrafos dizem que só conseguia falar normalmente com crianças — meninas apenas, pois odiava meninos. Adulto, tinha fortes enxaquecas, que os médicos da época diagnosticaram como epilepsia.

Sua obra mais famosa foi inspirada em uma menina real, chamada Alice Lidell, filha de um amigo de Lewis. Em um passeio, contou a ela uma história improvisada sobre uma menina que ia parar embaixo da terra. Envolto em polêmicas, muito se comentava sobre Alice ser o amor platônica de Carroll, que nunca se casou. Nunca houve qualquer indício que tais boatos fossem verdadeiros.

Típico homem vitoriano, era fascinado pela nobreza e propenso ao esnobismo. Reprovava a indecência em todas as suas formas, no dia-a-dia e nas artes. Talvez como fuga à própria rigidez, tenha criado um mundo tão fantástico. Como disse Martin Gardner: “O último nível metafórico nos livros de Alice é este: que a vida, vista racionalmente e sem ilusão, parece ser uma história disparatada contada por um matemático idiota”.